não consegui dormir até as 4h. eram matina e a saudade de você me esmigalhando os músculos já combustos da minha última fuga, a maior em autoenganos.
minha memória, essa luz assustadora. talvez, depois de você, eu vá sempre procurar, inconscientemente, casas com plantas recortadas e portas próximas, pra preservar a lembrança de você desfilando do quarto pra sala e a cozinha e vice-versa.
tem dias, muitos dias, ultimamente, em que a tua torrada e a nossa manhã me salvariam.
mais ainda a tua risada e a aceitação de que eu fosse preenchendo sem você me censurar. mais ainda a tua típica delicadeza.
não anda em falta a sabedoria. tenho rido bastante de figuras orgulhosas de sua própria malandragem, enquanto toca na minha rádio mental canto de ossanha. esperteza, com exceções bem especiais, fica a três abismos de inteligência ou mais, afinal. aquele ditado que amo.
a invídia é péssimo negócio. não pro alvo, é claro, mas pra quem a sente, porque a pulveriza sobre si mesmo, revelando sua monumental mediocridade. com tuas béras e teus negronis, você riria comigo do recalque dessa gente à toa no mundo, que alimenta essa fixação pela minha vida e não banca a sucessão de escolhas burras que fez e continua fazendo pra si mesma. gente branca, o que remete a uma das nossas últimas conversas.
(imagina se eu fizesse questão de holofote. se reservada assim, já é esse estrago…)
um dos motivos por que sempre te admirei. no que você me compreendeu e admirou de volta.
pelo qual a gente poderia rir junto e se identificar com esse casal maravilhoso, que acabei de descobrir. é, você falava tanto da velhice, que não chegou, e foi por isso que ontem mais uma vez tudo bateu: eu li um post de alguém dizendo que pode ser que nem esteja nesse futuro com o qual se preocupa tanto.
e uma vizinha com quem parei pra conversar era a mesma, fui me dar conta na metade do diálogo, que comentou, meses atrás, como um dos filhos tentou/idealizou (não sei bem) suicídio. ontem comemorava a ida de um deles pra gringa e não sei se era o mesmo.
já é quase março (hoje até me perguntei com quem ficaram todos os teus vinis). abril acabou crescendo demais em importância, né. e, esses dias, por acaso, saí com uma pessoa que faz aniversário no mesmo dia da minha mãe.
estou me esforçando.
não posso rebobinar nossa cena do cidade de deus, mas prometo que a correnteza do próximo mar será diferente, meu camará.