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Mulheres lésbicas e bissexuais fazem caminhada em São Paulo contra violência

Letycia Treitero Kawada – repórter da Agência Brasil

21/06/2026

Dezenas de milhares de pessoas retomaram, na tarde de hoje (21), nas ruas de São Paulo, o protesto pela legalização da maconha no país. Os manifestantes se reuniram em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), esclarecendo uma vez mais que a criminalização gera efeitos não somente para quem faz uso recreativo da planta ou a venda com essa finalidade, mas colabora também para a manutenção de um sistema prisional já inchado e intensifica o preconceito contra as cannabis medicinal e terapêutica, usadas, inclusive, por crianças, sob prescrição.

De acordo com o anuário da Kaya Mind, principal organização brasileira voltada à sistematização e divulgação de dados nacionais sobre o segmento (https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2024-11/expocannabis-mostra-potencial-de-empregabilidade-no-mercado-da-planta), atualmente 50 mil pessoas no país declaram se tratar com produtos à base da cannabis sativa (https://kayamind.com/anuario-da-cannabis-medicinal-2025/). Lançado com o financiamento da Gravital Clínica Canábica e da Cannect, a publicação sublinha que a regulamentação ideal esbarra na falta de aceitação da planta por grande parcela da sociedade, de modo que as discussões não avançam como deveriam, estereótipos são mantidos e somente tem acesso a itens canábicos quem tem poder aquisitivo para importá-los.

Com uma legislação aperfeiçoada e mais aderente às demandas existentes, o total de pacientes poderia ser de 6,9 milhões. Hoje há no país 153 empresas com CNPJ relacionado direta (28,1%) ou indiretamente (71,9%) ao mercado de cannabis medicinal. Pelas projeções da Kaya Mind, o setor poderia movimentar R$ 9,5 bilhões com a regulamentação adequada – isso apenas contando o catálogo medicinal, sem considerar o industrial, que também é pouco explorado, segundo os especialistas da área.

No ato deste domingo, essas restrições aos medicamentos foram denunciadas em estampas de camisetas e cartazes por todo o trecho da Avenida Paulista que fica ao redor do Masp. Chamavam a atenção mensagens como “Maconha não mata, mas o feminicídio, sim.” Entre jovens adultos, também protestavam idosos, pais e mães com seus filhos.

Levantamento da Bliss Data 2026 indica as mulheres de meia-idade e início da velhice como o principal grupo usuário de medicina canábica (https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-05/mulheres-de-45-64-anos-lideram-mercado-de-cannabis-medicinal-no-pais). Presente na mobilização pela primeira vez, com o namorado, a professora Stephanie Oliveira, atuante na educação infantil, é filha de uma mulher com esse perfil. Ela conta que a mãe, de 47 anos, usa a medicação para regular melhor o sono e aliviar a dor nas costas.

Antes de ir à rua, Oliveira se perguntou se deveria ou não compartilhar postagens dela na marcha, já que talvez colegas de trabalho pudessem ficar incomodados. Chegou à conclusão, entretanto, que não iria se censurar, por crer que o movimento pela legalização é sobre direitos.

“Não é tão aberto, não é algo que eu converse tanto na escola, com as colegas de trabalho. A maioria me segue no Instagram. Até pensei ‘Nossa, vou postar?’. Mas acho o movimento uma coisa importante. Independente de julgamentos, vou postar, porque é uma coisa que defendo, sim. Não fumando, mas que apoio a causa”, diz ela.


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